A economia global enfrenta um abrandamento significativo, marcado por uma maior fragmentação e riscos associados a tensões geopolíticas, energéticas e comerciais. Este alerta foi dado por Bruno de Moura Fernandes, responsável pela pesquisa macroeconómica da Coface, durante a Conferência de Risco País da seguradora de crédito. Durante o evento, especialistas como Carlos Andrade, economista-chefe do Novobanco, e o académico Bernardo Ivo Cruz, concordaram que a atual situação geopolítica é imprevisível, mas destacaram algumas certezas em meio a incertezas.
As previsões da Coface indicam que o crescimento de Portugal deverá situar-se em 1,6%, uma revisão em baixa em relação aos 2,4% previstos no início de fevereiro, antes do início do conflito entre os Estados Unidos e o Irão. Este cenário reflete um contexto internacional de elevada incerteza, onde o crescimento do PIB mundial deverá estabilizar entre 2,2% e 2,5% entre 2026 e 2027.
Um dos principais riscos identificados é a escalada das tensões no Médio Oriente, que pode afetar o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do comércio mundial de petróleo. A interrupção prolongada deste tráfego teria repercussões não só no setor energético, mas também em cadeias industriais e setores estratégicos como transportes e tecnologia. Bruno de Moura Fernandes estima que, após a estabilização pós-guerra, o preço do petróleo poderá atingir os 80 dólares por barril, um aumento face aos 60 dólares previstos anteriormente.
Além dos riscos energéticos, a Coface também sublinha a persistência das tensões comerciais internacionais. Apesar de um ligeiro alívio nas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, o nível de proteção comercial continua elevado, impactando os custos das empresas e a inflação. A crescente desconexão económica entre os Estados Unidos e a China é outra preocupação, podendo acelerar a entrada de produtos chineses na Europa e aumentar a pressão competitiva sobre a indústria europeia.
A produção industrial em Portugal permanece abaixo dos níveis pré-pandemia, evidenciando uma vulnerabilidade face à concorrência chinesa no mercado europeu. O aumento das insolvências empresariais, que já superam os níveis pré-pandemia, é um reflexo do agravamento das condições económicas. A Coface estima um aumento de 6% nas insolvências a nível mundial este ano.
Durante a conferência, Bernardo Ivo Cruz defendeu que Portugal pode tirar partido da sua capacidade de estabelecer pontes entre diferentes regiões do mundo, enquanto Carlos Andrade destacou a transformação estrutural que a economia global está a atravessar. Segundo ele, Portugal tem potencial para reforçar a sua posição como plataforma competitiva para investimento, beneficiando da sua localização geográfica e estabilidade política.
Os participantes da Conferência de Risco País concordaram que a interligação entre geopolítica, energia, tecnologia e comércio internacional torna a gestão do risco um fator central para empresas e investidores. Cláudia Vasconcelos, Country Manager da Coface em Portugal, enfatizou que abrir-se ao exterior é uma necessidade, e que a segurança nesse processo é o grande desafio das empresas.
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Fonte: ECO





