O presidente executivo do BCP, Miguel Maya, foi ouvido esta terça-feira na Comissão Parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), a pedido do partido Chega, no âmbito do processo designado por “cartel da banca”. Durante a sua intervenção, Maya assegurou que “nunca houve intenção de falsear a concorrência” e que não existem provas de prejuízos para os clientes.
O CEO do maior banco privado português defendeu que a alegada troca de informações entre instituições bancárias teve como resultado um aumento da concorrência e uma descida significativa dos preços. “O que assistimos é exatamente o contrário: aumento da concorrência e descida acentuada dos preços”, afirmou Maya, sublinhando que o BCP pagou quase 3,6 milhões de euros em juros aos clientes, resultado da sua estratégia comercial agressiva.
Maya foi questionado sobre a possibilidade de pedir desculpa, ao que respondeu que “não hesitaria em pedir desculpa se tivesse a convicção de que existiram clientes prejudicados”. O CEO enfatizou o empenho dos 6.000 colaboradores do BCP, que, segundo ele, trabalham diariamente para servir os clientes. “Como CEO, nunca permitiria que o banco tivesse um comportamento incorreto perante a sociedade portuguesa”, garantiu.
Durante a audição, Miguel Maya também recordou a ajuda que o BCP recebeu durante o período da troika, agradecendo aos portugueses pelo empréstimo de três mil milhões de euros. “O Millennium BCP pagou tudo e ainda pagou mil milhões de euros em juros e comissões”, destacou.
O processo do “cartel da banca”, que foi investigado pela Autoridade da Concorrência (AdC), resultou na anulação de coimas de 225 milhões de euros pelo Tribunal da Relação de Lisboa, devido à prescrição, decisão que foi confirmada pelo Tribunal Constitucional em agosto de 2025. No entanto, o BCP foi condenado a pagar uma coima de 60 milhões de euros neste caso.
Maya ironizou ao afirmar que “até parece que a responsabilidade da prescrição ficou a cargo dos bancos”, referindo-se ao tempo prolongado que a AdC levou para concluir o inquérito. “A lei da concorrência prevê que o inquérito deve ser encerrado em 18 meses. A AdC levou 29 meses e 9 dias”, acrescentou.
Por fim, o CEO do BCP destacou as medidas de mitigação implementadas pelo banco, incluindo a formação de mais de 6.300 colaboradores em matéria de concorrência e a alteração do código de conduta da instituição. “O BCP é um banco ao serviço da sociedade portuguesa. Nunca houve, por parte de qualquer colaborador, intenção de falsear a concorrência e nunca houve prejuízo para os clientes”, concluiu.
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Fonte: Sapo





