De todas as recomendações de finanças pessoais, o fundo de emergência é provavelmente a mais repetida, e por boa razão. É a diferença entre uma despesa inesperada ser um incómodo ou uma crise financeira.
O que é um fundo de emergência
Um fundo de emergência é uma reserva de dinheiro, guardada separadamente do resto das tuas poupanças e investimentos, destinada exclusivamente a cobrir imprevistos: perda de emprego, uma avaria grave no carro, uma emergência de saúde não coberta pelo seguro, ou uma reparação urgente em casa.
A característica mais importante deste fundo não é o retorno que gera, é a liquidez. Precisa de estar num sítio onde consigas aceder ao dinheiro rapidamente, sem penalizações significativas, mesmo que isso signifique abdicar de uma taxa de juro mais alta que encontrarias noutro produto.
Quanto deves poupar
A recomendação mais comum é entre três a seis meses de despesas essenciais. Não do teu rendimento total, mas do que precisas mesmo para viver: habitação, alimentação, transportes, seguros, e outras despesas fixas incontornáveis.
| SituaçãoMeses recomendados | |
| Rendimento estável, sem dependentes | 3 meses |
| Trabalhador independente ou rendimento variável | 6 meses ou mais |
| Único rendimento do agregado, com dependentes | 6 meses ou mais |
Se as tuas despesas essenciais mensais forem, por exemplo, 900 €, um fundo de emergência confortável rondaria os 2700 € a 5400 €.
Onde guardar o fundo de emergência
Em Portugal, as opções mais comuns para este tipo de reserva incluem:
- Conta poupança com liquidez imediata: a opção mais simples, ainda que a taxa de juro seja normalmente baixa.
- Depósitos a prazo com mobilização antecipada: podem oferecer uma taxa ligeiramente melhor, mas verifica sempre as condições de resgate antecipado e eventuais penalizações.
- Certificados de Aforro: têm liquidez ao fim de um mês, sem penalização de capital, o que os torna uma opção intermédia razoável para parte do fundo.
Evita guardar o fundo de emergência em ações, ETFs, ou qualquer produto cujo valor possa cair precisamente no momento em que precisas de o usar.
Como começar, se ainda não tens nada guardado
Não precisas de juntar o valor todo de uma vez. Define uma meta inicial mais pequena e alcançável (por exemplo, 500 € ou um mês de despesas) e usa o simulador de orçamento familiar para encontrares uma percentagem do teu rendimento que consigas transferir automaticamente todos os meses até lá chegares. Depois disso, continua a reforçar o fundo até atingires os três a seis meses recomendados.
Nota
O fundo de emergência deve ser reconstituído sempre que for usado. Se tiveres de recorrer a ele, trata a reconstituição como uma prioridade no orçamento dos meses seguintes.