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Poupança 29 de junho de 2026

Juros compostos explicados com exemplos em euros

Diz-se muitas vezes que o juro composto é a oitava maravilha do mundo. Seja ou não verdade, é sem dúvida um dos conceitos mais poderosos, e mais mal compreendidos, em finanças pessoais. Neste artigo explicamos, com exemplos em euros, como funciona e porque é que o tempo é o fator mais importante.

Juro simples vs. juro composto

No juro simples, os juros são sempre calculados sobre o capital inicial. Se investires 1000 € a uma taxa de 5% ao ano em juro simples, ganhas sempre 50 € por ano, todos os anos.

No juro composto, os juros de cada período são somados ao capital, e passam também a render juros no período seguinte. Usando o mesmo exemplo de 1000 € a 5% ao ano: no primeiro ano ganhas 50 €, ficando com 1050 €. No segundo ano, os 5% já incidem sobre 1050 €, não sobre 1000 €: ganhas 52,50 €, ficando com 1102,50 €. A diferença parece pequena no início, mas cresce de forma acentuada ao longo dos anos.

Um exemplo a 20 anos

Imagina que investes 100 € por mês, a partir de um capital inicial de 1000 €, a uma taxa anual média de 5%:

AnosTotal investidoValor acumulado (juro composto)
5 anos7 000 €≈ 7 900 €
10 anos13 000 €≈ 16 100 €
20 anos25 000 €≈ 42 000 €

Repara: entre os 10 e os 20 anos, investiste o mesmo valor adicional (12 000 €) nos dois períodos, mas o valor acumulado quase triplicou em vez de duplicar. É esse o efeito do juro composto a atuar sobre uma base cada vez maior. Podes testar os teus próprios valores no nosso simulador de juros compostos.

Porque é que começar cedo importa mais do que investir muito

Compara duas pessoas: a Marta começa a investir 100 €/mês aos 25 anos. O Rui começa a investir 200 €/mês, mas só aos 35 anos. Aos 55 anos, assumindo uma taxa de 5% ao ano, a Marta terá investido menos dinheiro no total, mas o seu património tende a ser semelhante ou até maior do que o do Rui, porque o dinheiro dela teve mais tempo para compor juros sobre juros.

Onde encontrar juro composto em Portugal

  1. Depósitos a prazo: a maioria capitaliza juros no vencimento, mas se reinvestires o capital e os juros, o efeito composto acumula-se ao longo dos anos.
  2. Certificados de Aforro e do Tesouro: capitalizam juros automaticamente enquanto o dinheiro lá estiver.
  3. Fundos de investimento e ETFs: o crescimento do valor da unidade de participação ao longo do tempo replica o mesmo princípio, ainda que com risco de mercado associado.

Nota importante

Os exemplos deste artigo assumem uma taxa de retorno constante, o que raramente acontece na realidade: os mercados sobem e descem. O juro composto é um princípio matemático, não uma garantia de retorno. E os valores aqui apresentados são brutos: não têm em conta impostos sobre juros ou mais-valias.

A conclusão prática é simples: quanto mais cedo começares a poupar de forma consistente, menos vais depender de "acertar" com investimentos arriscados mais tarde. O tempo, mais do que o montante, é o teu maior aliado.

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