A taxa de juro dos Certificados de Aforro Série F vai atingir o limite máximo em setembro. A Euribor a três meses subiu o suficiente para fazer disparar o rendimento para os 2,5% — o teto fixado pelo Estado para esta série.
Não é a primeira vez que acontece, mas é a primeira vez em mais de um ano. Desde fevereiro de 2025 que os detentores de certificados não viam o juro máximo desta série. O que mudou agora é que a Euribor a três meses, que serve de base ao cálculo, subiu e ficou acima dos 2,5% nos dez dias úteis que entram na fórmula — precisamente 2,517% em média. Como o instrumento tem teto, o que os aforristas recebem é 2,5%, e não os 2,517%.
Para quem acompanha estes produtos há algum tempo, vale a pena lembrar que a Série E tinha um teto mais generoso — 3,5%. A Série F, lançada depois, foi desenhada já com um limite mais baixo, o que torna este "máximo" menos impressionante do que parece à primeira vista. Ainda assim, face à média dos depósitos bancários — que andava nos 1,55% em junho —, continua a ser uma alternativa interessante para quem quer guardar dinheiro em segurança.
Como funciona o cálculo
A taxa mensal dos Certificados de Aforro Série F não é fixa. É determinada pela média da Euribor a três meses nos dez dias úteis que antecedem o período de cálculo, arredondada às milésimas. Se a Euribor ficar acima de 2,5%, o rendimento trava nos 2,5%. Se cair abaixo de zero, o piso garante que nunca é negativa.
A isto acresce um sistema de prémios de permanência: quanto mais tempo o dinheiro estiver investido, maior o bónus anual que se soma à taxa base. Estes prémios são capitalizados trimestralmente — o que na prática significa que rendem juros sobre juros ao longo do tempo.
| Período de investimento | Prémio de permanência | Taxa total (máx.) |
|---|---|---|
| Ano 1 | — | 2,50% |
| Anos 2 a 5 | +0,25% | 2,75% |
| Anos 6 a 9 | +0,50% | 3,00% |
| Anos 10 e 11 | +1,00% | 3,50% |
| Anos 12 e 13 | +1,50% | 4,00% |
| Anos 14 e 15 | +1,75% | 4,25% |
Taxa total = taxa base (máx. 2,5%) + prémio de permanência. Valores assumindo taxa base no teto máximo.
O prazo máximo é de quinze anos, com um período de carência de três meses no início — durante os quais não é possível resgatar. Depois disso, o dinheiro pode sair a qualquer momento, sem penalizações. O limite de subscrição é de 50.000 euros por titular.
Simula o teu rendimento
O simulador abaixo usa a taxa máxima atual de 2,5% como base e aplica os prémios de permanência ano a ano. Os juros são sujeitos a retenção na fonte de 28% — o resultado líquido já reflete esse impacto.
O contexto que importa perceber
O que está a acontecer em setembro não é um aumento do produto em si — é uma consequência da Euribor ter subido. Os certificados funcionam como um espelho da taxa de mercado, com um teto e um piso que protegem o aforrista de extremos. Quando a Euribor sobe muito, o Estado limita o ganho em 2,5%. Quando desce muito, o Estado garante que não há perdas.
Isso significa que quem tem certificados agora está numa situação razoável — mas quem entrou há dois ou três anos e ficou, beneficia ainda mais, porque o prémio de permanência já está a somar à taxa base. Para alguém no sexto ano de investimento, a taxa total neste momento seria de 3,0% — um valor que os depósitos bancários dificilmente atingem.
A incerteza é outra história. A Euribor pode descer. Se descer abaixo de 2,5%, a taxa dos certificados também desce. Não há garantia de que setembro seja o início de uma tendência — pode igualmente ser um pico antes de nova queda.
Os Certificados de Aforro são subscritos através do CTT ou diretamente no portal AforroNet (aforronet.igcp.pt). Não há custos de subscrição nem comissões de gestão.